Aimé Césaire
quinta-feira, julho 15, 2010
sábado, junho 19, 2010
José Saramago
segunda-feira, abril 12, 2010
Do que é quantificável
Elementos que atingiram certo patamar de naturalidade em nossa cultura, tais termos de comparação podem ser facilmente encontrados em publicações como o famoso Guinness Book of Records. Com a primeira edição publicada em 1955, em Londres, segundo seu site oficial: “Nenhuma outra iniciativa reúne, confirma, homologa e apresenta dados sobre recordes mundiais com o mesmo nível de investimento em termos de abrangência e autenticidade” (fonte: http://www.guinnessworldrecords.com/br/history.aspx). Bom, nem precisa dizer que a marca Guinness é detentora de um dos maiores registros de publicação, vendagem e tradução da história editorial.
Mas, detenho-me à quantificação em questão.
Não bastasse os inúmeros algarismos que atravessam nosso dia-a-dia, recebo de um amigo a notícia de que havia sido batido o recorde de “maior beijo coletivo do mundo”. Tal proeza foi alcançada em show de Claudia Leitte e banda, realizado em 2009,
Nunca a sexualidade esteve tão liberta e nunca o conhecimento e a crítica se desvincularam tanto do conteúdo de nossa caixa craniana. Talvez não se tenha atentado para o quanto nossa sociedade tem vivido em estado de sofrimento psíquico. De qualquer forma, nunca a ingestão de medicamentos para diminuir a sensação de solidão e de tédio chegou a um nível tão alarmante quanto agora, como também nunca o corpo se viu em tamanha enrascada: ser livre e ter que atender às obrigações consuetudinárias. Deixa-se de lado a busca que o desejo provoca em favor da pseudosegurança que a boca do outro pode proporcionar no momento de uma foto, em prol de um apelo à performance alienante de apenas contar mais 1.
terça-feira, abril 06, 2010
"A fita branca" e o Tibete
Assisti recentemente a um dos filmes mais intrigantes da atualidade. Trata-se de "A fita branca", de Michael Haneke. Muitos já devem ter lido a sinopse do filme e sabem que a película narra a história de uma comunidade rural na Alemanha, entre 1913 e 1914, onde diversos incidentes violentos vão ocorrendo. Não se esclarece a autoria dos atos que tumultuam a comunidade, mas Haneke nos faz entender que a violência ali anda de mãos dadas com o pueril e é reforçada pela postura dos que supostamente deveriam evitá-la (o pastor, o médico, os empregados do barão). Para muitos, não é à toa que o filme se desenrola num período próximo ao do início da Primeira Guerra Mundial (1914-1918), já que os acontecimentos daquele vilarejo seriam um prenúncio do que veio a ser o nazismo. Por relatar uma situação ficticiamente ocorrida numa pequena cidade alemã, julga-se que lá, portanto, já se encontravam sinais da geração que apoiou a subida do Führer ao poder.Slavoj Zizek, em artigo na Folha de São Paulo de 13/04/2008, quando da invasão chinesa ao Tibete (local que é um dos maiores representantes do desejo de paz no mundo), argumenta de forma inspiradora quanto ao que se espera dos tibetanos. Reproduzo um trecho do texto: "Nosso fascínio pelo Tibete o converte numa entidade mítica sobre a qual projetamos nossos sonhos. Assim, quando as pessoas lamentam a perda do autêntico modo de vida tibetano, não estão, na verdade, preocupadas com os tibetanos reais. O que querem dos tibetanos é que sejam autenticamente espirituais por nós, em lugar de nós mesmos o sermos, para continuarmos a jogar nosso desvairado jogo consumista" (ver em http://migre.me/ujDH). Pois então, que os alemães continuem, até hoje, sendo autenticamente hediondos por nós! Melhor que nós mesmos o sermos... Melhor isso do que nossos próprios microfascismos cotidianos ficarem escancarados ao olhar no espelho...
Que fique a mensagem de Michael Haneke sobre seu filme, que o mal não seja entendido como mácula de um povo para que possamos entendê-lo um pouco mais: “Não ficaria feliz se esse filme fosse visto como um filme sobre um problema alemão, sobre o nazismo. Este é um exemplo, mas significa mais que isso. É um filme sobre as raízes do mal. É sobre um grupo de crianças, que são doutrinadas com alguns ideais e se tornam juízes dos outros – justamente daqueles que empurraram aquela ideologia goela abaixo deles. Se você constrói uma idéia de uma forma absoluta, ela vira uma ideologia. E isso ajuda àqueles que não têm possibilidade alguma de se defender de seguir essa ideologia como uma forma de escapar da própria miséria. E este não é um problema só do fascismo da direita. Também vale para o fascismo da esquerda e para o fascismo religioso" (ver em http://migre.me/ujDc).
terça-feira, março 16, 2010
... e para quem?
Com certeza você já reparou. Há um movimento na atualidade que tenta incrementar uma correta politização das condutas. Sim, é verdade, e você já viu isso em algumas partes da cidade: são mensagens sobre como devemos nos conduzir no trato com o outro. Normalmente, esse recadinho vem florido, todo coloridinho, seguindo também uma estética bastante particular, a chamada clean, que não agride os olhos para que o coração também não perceba. Seu discurso é bastante claro: sinceridade, honestidade, preservação, limpeza, Bem para todos - ícones da etiqueta do atual cotidiano. Você pode pensar: "Ah, legal. Hoje em dia, as pessoas estão mesmo muito individualistas, não querem saber do meio ambiente, esqueceram o bom caratismo". Consideração importante. No entanto, a foto acima traz algo além dessas mensagens, digamos, positivas. Pois é. A pergunta "De quem?" destoa como que provocando quem deseja todo esse Bem contido no cartaz da campanha. É algo que realmente modifica e subverte o discurso ali apresentado. De qual Bem se trata? ... E para quem?Parece-me que se trata do Bem contrário do Mal (claro!), mas a noção do Mal está muito inespecífica hoje em dia. Por exemplo, antes, sabíamos de maneira bastante objetiva quem eram os bonzinhos e quem eram os que deveriam ser derrotados nas guerras. As batalhas expunham um confronto direto entre os inimigos - lembre do Kuwait, no início dos anos 90, ou até mesmo das batalhas dos filmes de época. Com os anos 2000, porém, não se combate mais o inimigo, mas o Mal (afinal, é uma "guerra contra o Mal"), que, com a onda do fundamentalismo e toda a paranóia que se criou com isso, pode ser tudo e qualquer um. Ser tudo e qualquer um. Perceba, então, que o Bem, se for o contrário de Mal, é tão extenso e inespecífico quanto este último. Algo bastante diverso da época aristotélica, em que se buscava o Bem Supremo, a felicidade de estar próximo de Deus, local de completude.
"Atitudes do bem" e felicidade não deveriam ser um imperativo, ainda mais de algo tão inespecífico. Mas, ambos o são, e são apresentados como tal, fazendo com que a sensação de completude se dê pela ausência do querer. E como viver assim? Imperativos são para quem tem medo de desejar.
domingo, fevereiro 28, 2010
As Janelas
XIIe somente observar parece vivo.
Tudo lança um sabor complementar
de forte inteligência como em livro.
Cada pássaro que em seu vôo propala
minha extensão, deseja que eu consinta.
E eu consinto. Essa força sucinta
não me apavora mais, pois me embala.
Me encontrarão, no anoitecer profundo,
depois de ter passado o dia inteiro,
janela incansável, em teu celeiro,
para ser outra metade do mundo.
Homenagem ao meu amigo Guilherme Gontijo.
Fonte: RILKE, Rainer Maria. As Janelas, seguidas de poemas em prosa franceses. Organização e tradução de Bruno Silva D'Abruzzo e Guilherme Gontijo Flores. Belo Horizonte: Crisálida, 2009.
Pintura: Morning in a city, de Edward Hopper, sem data.
sábado, fevereiro 13, 2010
Voltaire, Lisboa e Haiti
Ó infelizes mortais, ó terra deplorável Ó ajuntamento assustador de seres humanos! Eterna diversão de inúteis dores! Filósofos alienados que proclamam:“tudo vai bem”. Venham contemplar essas ruínas horrendas
esses destroços, esses farrapos, essas cinzas malditas, essas mulheres e essas crianças amontoadas sob mármores partidos, seus membros espalhados;
Cem mil desafortunados que a terra devora, que sangrando, dilacerados, e ainda palpitando enterrados sob seus tetos, sucumbem sem socorro, no horror de tormentas findando seus dias!
Diante dos gritos de suas vozes moribundas, do horror de suas cinzas ainda crepitantes, vocês dirão: ” é a conseqüência de leis eternas que um Deus livre e bom resolveu aplicar?!”
Vocês dirão, vendo esse amontoado de vítimas: “Deus vingou-se,e a morte deles é o preço de seus crimes?!”
Que crime, que falta cometeram essas crianças esmagadas e sangrentas sobre o seio materno? Lisboa, que não mais existe, teria mais vícios que Londres, que Paris, submersas em delícias?
Lisboa está destruída e dança-se em Paris.
espectadores tranqüilos, intrépidos espíritos, contemplando a desgraça desses moribundos, vocês procuram – em paz – as causas do desastre:
mas quando sentem os golpes dos fados inimigos, tornam-se mais humanos e choram como nós. creiam-me: quando a terra abre seus abismos, meu lamento é inocência e meu grito é verdade sempre cercados pelas crueldades do acaso,
pelo furor dos malvados, pelas armadilhas da morte experimentado o abalo de todos elementos, companheiros de nossos males, permitam lastimá-los.
É o orgulho, dizem vocês, o orgulho sedicioso, que almeja que indo mal, nós possamos ser melhores. Vão interrogar as margens do Tejo;
Escavem nos destroços dessa ruína sangrenta;
Perguntem aos moribundos nesse átimo de espanto se é o orgulho que grita “Ó céu, socorre-me! Ó céu, tenha piedade da miséria humana!”
“Tudo vai bem – dizem vocês – e tudo é necessário” Por acaso o universo, sem esse abismo, infernal, sem submergir Lisboa, estava sendo pior?
Este poema foi escrito por Voltaire, por ocasião do terremoto que destruiu Lisboa em 1756. Cabe, em alguns momentos, ao que aconteceu no Haiti.
Fonte: Programa Provocações, da TV Cultura.
terça-feira, fevereiro 09, 2010
Menina Jesus
Valei-me, minha menina Jesus
minha menina Jesus
minha menina Jesus, valei-me.
Só volto lá a passeio
no gozo do meu recreio,
só volto lá quando puder
comprar uns óculos escuros.
Com um relógio de pulso
que marque hora e segundo,
um rádio de pilha novo
cantando coisas do mundo --
pra tocar.
Lá no jardim da cidade,
zombando dos acanhados.
dando inveja nos barbados
e suspiros nas mocinhas...
Porque pra plantar feijão
eu não volto mais pra lá
eu quero é ser Cinderela,
cantar na televisão...
Botar filho no colégio,
dar picolé na merenda.
viver bem civilizado,
pagar imposto de renda.
Ser eleitor registrado,
ter geladeira e tv,
carteira do ministério,
ter cic, ter rg.
Bença, mãe.
Deus te faça feliz
minha menina Jesus
e te leve pra casa em paz.
Eu fico aqui carregando
o peso da minha cruz
no meio dos automóveis,
mas
Vai, viaja, foge daqui
que a felicidade vai
atacar pela televisão
E vai felicitar, felicitar
felicitar, felicitar
felicitar até ninguém mais
respirar.
Acode, minha menina Jesus
minha menina Jesus
minha menina Jesus, acode.
No Youtube: http://www.youtube.com/watch?v=YJs1zqRhDCc
Composição: Tom Zé
segunda-feira, janeiro 18, 2010
Os dias
Esses dias vi você piscando. É, vi você piscando esses dias. Principalmente, depois do cinema. Você piscando esses dias. Às vezes piscava muito. Não sei o motivo por que piscava tanto às vezes, mas é verdade, você piscava muito. Ah, os óculos. Será? Não. Aquilo, lembra?, aquilo que você me disse esses dias piscando: pensei que fosse mentira – claro, você piscava como alguém que contava uma baita mentira. Isso tudo foi esses dias. Tudo. Você piscava como se gostasse de brincar de deixar o olho seco, qual criança que faz isso só para irritar. Olho seco se irrita e aí você se força a piscar. Foi por isso que te vi piscando esses dias. Você estava brincando. Mais um motivo para eu acreditar que era mentira. E você mente, hein? Sei que está mentindo para mim. Como? Você estava brincando esses dias – brincando e piscando. É por isso que eu sei. Brincando, piscando, mentindo e tentando. Entender o quê? Já expliquei demais e estou dando assunto para você continuar com isso, não acha? Que a gente consegue? Deixa de piscar. Vai virar cacoete. Então vai cuidar do seu sono. Você vai querer cacoete pra quê? Lê aquele livro e descobre a cor dele. O título está de acordo com o que tem dentro? O samba tem bom ritmo? A pesquisa referenda bem a realidade? E aquela destruição toda do jornal? Deve ter sido um barulho matador. E as crianças, as velhas, você viu? E aquela violência? À toa toda dor? Parece até brincadeira, né? Mas, não é. É verdade. Ah, já sei por que você está piscando agora – igual esses dias. Não é cacoete nem brincadeira. Tudo bem, eu sei. Pode chorar. Eu concordo com você – os dias estão muito difíceis.terça-feira, outubro 27, 2009
Consolo para iniciantes
Desamparada, com os dedos dos pés dobrados!
Não pode senão chorar, somente chorar -
Aprenderá algum dia a se erguer e andar?
Não receiem! Logo, creio,
Poderão vê-la dançar!
Quando se puser sobre as duas pernas
Também se porá de cabeça para baixo.
Bela e cruel ironia de Friedrich Nietzsche, em "A gaia ciência".
Trecho do filme "Nós que aqui estamos por vós esperamos" (1999),
de Marcelo Masagão.
quarta-feira, outubro 21, 2009
Último Romance

Eu encontrei quando não quis
Mais procurar o meu amor
E quanto levou foi pr'eu merecer
Antes um mês e eu já não sei
E até quem me vê lendo o jornal
Na fila do pão, sabe que eu te encontrei
E ninguém dirá que é tarde demais
Que é tão diferente assim
Do nosso amor a gente é que sabe, pequena
Ah vai!
Me diz o que é o sufoco que eu te mostro alguém
Afim de te acompanhar
E se o caso for de ir à praia eu levo essa casa numa sacola
Eu encontrei e quis duvidar
Tanto clichê deve não ser
Você me falou pr'eu não me preocupar
Ter fé e ver coragem no amor
E só de te ver eu penso em trocar
A minha TV num jeito de te levar
A qualquer lugar que você queira
E ir onde o vento for
Que pra nós dois
Sair de casa já é se aventurar
Que eu te mostro alguém afim de te acompanhar
E se o tempo for te levar
Eu sigo essa hora e pego carona pra te acompanhar
Composição: Rodrigo Amarante
Banda: Los Hermanos
domingo, outubro 18, 2009
Uma experiência
quarta-feira, outubro 07, 2009
Erro da vontade livre

Friedrich Nietzsche, "Crepúsculo dos ídolos", Os quatro grandes erros, af. 7.
sexta-feira, setembro 04, 2009
Hoje
domingo, agosto 16, 2009
Recomendação

domingo, agosto 02, 2009
À martelada
segunda-feira, julho 27, 2009
Por que a arte?
Ao passo que aceitamos continuar vivendo numa sociedade que vai de mal a pior, como assim me parece a nossa, mais grandiosas vão se tornando as obras de arte. Triste constatação: a intensidade de uma obra apruma tanto mais o desgosto impera sobre nosso suspirar cotidiano. Se consagramos a desmesura, a obra chega ao limite do que pode ser belo naquilo que é triste, hediondo, insuportável. Arte existe a partir disso, não? Se não, de qual fartura artística se vale uma "Guernica", de Picasso, se a Guerra Civil Espanhola não tivesse acontecido? De qual brilho genial teria aparecido uma Nona Sinfonia se Beethoven (e aí incluo Schiller) não percebesse o drama humano na Europa do século XVIII? De que moleca preciosidade viriam as palavras de Manuel Bandeira se não assumisse a beleza de ser um poeta menor, já que menor é aquele que brinca com as palavras, não o que levanta prédios, ou montantes de dinheiro? Mais uma vez (talvez sempre), vale a máxima de que, para vivermos uma vida sem justificativa alguma, só uma vida com arte.Foto: Janet Cardiff, Forty Part Motet, 2001.
sexta-feira, julho 17, 2009
Da consagração à desmesura
Na antiga Atenas, lutava-se para representar a cidade. Cada um de seus cidadãos preocupava-se unicamente em se desenvolver de maneira que pudesse servir sua cidade de sua máxima agilidade. Bem diferente das ambições modernas, a postura grega era contrária ao desmedido - correr e jogar, somente pela própria cidade. Desse modo, ficava claro que o grego se colocava como meio de consagração de sua terra. Vaidade? A vaidade que se construía ia ao limite do que lhe era próximo, do que era tangível ao humano, do que era possível, e isso refreava e punha limite ao egoísmo desmesurado. Por isso, os indivíduos da antigüidade eram mais livres, porque seus objetivos eram mais próximos e mais alcançáveis. O homem (pós-)moderno, ao contrário, tem a infinidade cruzando o seu caminho em toda parte. Para ele, o céu não é o limite, e o incalculável só faz cócegas. Não há grupo que o satisfaça.
sexta-feira, julho 10, 2009
Sou do tamanho do que vejo
Releio passivamente, recebendo o que sinto como uma inspiração e um livramento, aquelas frases simples de Caeiro, na referência natural do que resulta do pequeno tamanho de sua aldeia. Dali, diz ele, porque é pequena, pode ver-se mais do mundo do que da cidade; e por isso a aldeia é maior que a cidade..."Sou do tamanho do que vejo!" Cada vez que penso esta frase com toda a atenção dos meus nervos, ela me parece mais destinada a reconstruir consteladamente o universo. "Sou do tamanho do que vejo!" Que grande posse mental vai desde o poço das emoções profundas até às altas estrelas que se reflectem nele e, assim, em certo modo, ali estão.
Mas recolho-me e abrando-me. "Sou do tamanho do que vejo!" E a frase fica sendo-me a alma inteira, encosto a ela todas as emoções que sinto, e sobre mim, por dentro, como sobre a cidade por fora, cai a paz indecifrável do luar duro que começa largo com o anoitecer.
Bernardo Soares
Pintura: "Prédios de tijolo pelo sol" (1956), de Edward Hopper.
sábado, julho 04, 2009
O som do sol
A praça e o banco. A fonte e a água. A música e o sol.Naquele momento, o ar sofreu uma purificação e o sol tocou sua música para acalentar os que o ouviam. Naquele momento, os deuses estavam mais próximos só para confirmar sua superioridade e seu carinho pelos homens. Por sua vez, os homens só podiam regozijar-se de tal beleza mítica e cotidiana - eles sofreriam menos se aceitassem sua condição ordinária.




