Segunda-feira, Julho 25, 2011

Da LAMA* ao caos

Fora toda a problemática que se tornou o uso e abuso de drogas no Brasil e no mundo, há aspectos que escapolem até mesmo a um olhar crítico mais incisivo. Lendo a revista Cult desse mês, que conta com um ótimo dossiê sobre Foucault, deparo-me com algo tão simples e tão claro para o que ainda não havia atentado.
Trata-se de entrevista dada pelo psiquiatra Gerardo de Araújo Filho, onde ele faz algumas análises sobre os avanços (que existem de verdade) e as dificuldades persistentes desde a criação da lei n° 10.216. Essa lei, que tem o objetivo de reformular a dinâmica da política de atenção às pessoas que necessitam de tratamento na saúde mental, preconiza o fechamento de hospitais psiquiátricos, além da não liberação para que se abra mais leitos psiquiátricos e a criação dos Centros de Atenção Psicossocial (CAPSs) e dos Núcleos de Apoio à Saúde da Família (NASFs), que são serviços com o intuito de substituírem a lógica hospitalocêntrica e psicologizante por uma que atendesse os usuários a partir da singularidade de cada um deles e construísse um projeto terapêutico com a participação da família e aproximação da sociedade.
Muito bem. Qual não foi minha surpresa quando li a seguinte pergunta e resposta, da qual reproduzo um trecho aqui:

CULT- Os leitos hospitalares e serviços são suficientes para a população?
Gerardo de Araújo Filho
- Não. Existem hoje pessoas desassistidas. Não sabemos o número porque nós, brasileitos, não temos esmero pela questão estatística. Mas tem uma grande parte que virou morador de rua,
está na cracolândia ou em casa, trancafiado.

Cracolândia. Qual a sua impressão ao ver em jornais ou telejornais essa localidade, no centro da cidade de São Paulo?
Pois bem, a lambança midiática que se faz em torno dessa região tem nos sido apresentada por diversas vezes, sempre associada ao uso do crack. E só... Quando imaginaríamos que um possível efeito do movimento da *Luta Antimanicomial seria dar como suporte a tantas pessoas apenas esse caos?

Para ler a entrevista na íntegra, clique aqui.

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